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Os jornais divulgaram que em
abril, deste ano, o Departamento
Intersindical de Estatísticas e
Estudos Socioeconômicos (Dieese)
apurou uma elevação de 0,42% no
custo de vida da população
paulista. Isso, em outras
palavras, significa que no
Estado de São Paulo a inflação
bateu quase meio por cento no
mês. Inflação que, diga-se de
passagem, não foi tema exclusivo
da imprensa nacional, tendo sido
assunto para diários e cadernos
econômicos estrangeiros nas
últimas semanas. Uns em menor
escala. Outros, em maior. Os
europeus falaram bastante. Isso
porque seus institutos de
pesquisas oficiais registraram
uma média de 3,6% na escalada
dos preços. Os norte-americanos,
que também andam envoltos em uma
crise que se arrasta no sistema
imobiliário e já repercute em
toda a economia, também
comentaram. Para eles, a
inflação foi de 4%. Mas os
campeões foram dois emergentes
de peso, China e Rússia.
Enquanto o primeiro viu os
preços chegarem à casa dos 8,3%,
o segundo amargou uma inflação
mensal de 12,7%.
Não é por menos que o presidente
do Banco Mundial (Bird), Robert
Zoellick, veio a público alertar
o mundo – mercados e
governantes. Na primeira semana
de maio, o dirigente do Bird
afirmou que a alta tem motivação
na elevação dos preços dos
alimentos. Uma crise que,
segundo ele, permanecerá até
2015, principalmente nos grãos –
feijão, milho, soja e arroz.
Para ele, os custos em 2015
serão mais altos do que em 2004,
quando se registraram os valores
mais baixos da década. Quem são
os culpados? O crescimento
econômico e populacional dos
países em desenvolvimento.
Motivação na
substituição tributária
Tratar da inflação passa longe
de ser agradável. Ainda mais por
aqui, onde o tema é, para
alguns, traumático – amargamos
por muito tempo índices
insustentáveis. E a limitação de
conviver em um ambiente sem
estabilidade monetária ainda
permanece viva na memória. Mas é
importante ressaltar que não
corremos esse risco hoje em dia.
Por aqui, aliás, se esperam
impactos bem menores que o
aguardado e já registrado mundo
afora. No cenário paulista,
podemos até afirmar que o
aumento de 0,45% nos preços,
apontado pelo Dieese, não nos
pegou de surpresa. Ao
contrário, era esperado.
Acredito que, mais do que nos
alimentos, esse desempenho
inflacionário encontra motivação
na substituição tributária,
expediente que antecipa na
indústria o recolhimento do
Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Prestação de
Serviços (ICMS)
de toda a cadeia
comercial até a venda ao
consumidor final.
A questão é que as margens de
valor adicionado estimadas pela
Secretaria da Fazenda de São
Paulo para a antecipação do
imposto são maiores que as de
mercado e as praticadas em
outros Estados. Com isso,
somente na cadeia dos produtos
cosméticos, o aumento ficou na
casa dos 40%. A substituição
também foi estabelecida para o
setor de medicamentos. E
contribuiu com cerca de 3,5%
para cima na remarcação dos
preços. Resta torcer para que o
País cresça e, nesse contexto,
ofereça condições para que o
consumo interno continue
aquecido, gerando emprego, renda
e, claro, progresso.
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