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NOTA FISCAL ELETRÔNICA


A INFLAÇÃO DOS OUTROS E A NOSSA

 

A crise dos alimentos eleva preços mundo afora. Aqui, no Brasil, os impactos são pequenos, mas poderiam ser ainda menores, não fosse a substituição tributária. Com isso, resta torcer para que o País cresça gerando condições para que o consumo interno se mantenha



por João Franco de Godoy Filho

 

       Os jornais divulgaram que em abril, deste ano, o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apurou uma elevação de 0,42% no custo de vida da população paulista. Isso, em outras palavras, significa que no Estado de São Paulo a inflação bateu quase meio por cento no mês. Inflação que, diga-se de passagem, não foi tema exclusivo da imprensa nacional, tendo sido assunto para diários e cadernos econômicos estrangeiros nas últimas semanas. Uns em menor escala. Outros, em maior. Os europeus falaram bastante. Isso porque seus institutos de pesquisas oficiais registraram uma média de 3,6% na escalada dos preços. Os norte-americanos, que também andam envoltos em uma crise que se arrasta no sistema imobiliário e já repercute em toda a economia, também comentaram. Para eles, a inflação foi de 4%. Mas os campeões foram dois emergentes de peso, China e Rússia. Enquanto o primeiro viu os preços chegarem à casa dos 8,3%, o segundo amargou uma inflação mensal de 12,7%.

      Não é por menos que o presidente do Banco Mundial (Bird), Robert Zoellick, veio a público alertar o mundo – mercados e governantes. Na primeira semana de maio, o dirigente do Bird afirmou que a alta tem motivação na elevação dos preços dos alimentos. Uma crise que, segundo ele, permanecerá até 2015, principalmente nos grãos – feijão, milho, soja e arroz. Para ele, os custos em 2015 serão mais altos do que em 2004, quando se registraram os valores mais baixos da década. Quem são os culpados? O crescimento econômico e populacional dos países em desenvolvimento.

 

Motivação na substituição tributária

      Tratar da inflação passa longe de ser agradável. Ainda mais por aqui, onde o tema é, para alguns, traumático – amargamos por muito tempo índices insustentáveis. E a limitação de conviver em um ambiente sem estabilidade monetária ainda permanece viva na memória. Mas é importante ressaltar que não corremos esse risco hoje em dia. Por aqui, aliás, se esperam impactos bem menores que o aguardado e já registrado mundo afora. No cenário paulista, podemos até afirmar que o aumento de 0,45% nos preços, apontado pelo Dieese, não nos pegou de surpresa. Ao contrário, era esperado. Acredito que, mais do que nos alimentos, esse desempenho inflacionário encontra motivação na substituição tributária, expediente que antecipa na indústria o recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) de toda a cadeia comercial até a venda ao consumidor final.

     A questão é que as margens de valor adicionado estimadas pela Secretaria da Fazenda de São Paulo para a antecipação do imposto são maiores que as de mercado e as praticadas em outros Estados. Com isso, somente na cadeia dos produtos cosméticos, o aumento ficou na casa dos 40%. A substituição também foi estabelecida para o setor de medicamentos. E contribuiu com cerca de 3,5% para cima na remarcação dos preços. Resta torcer para que o País cresça e, nesse contexto, ofereça condições para que o consumo interno continue aquecido, gerando emprego, renda e, claro, progresso.

 


FICHA TÉCNICA

JOÃO FRANCO DE GODOY FILHO

Presidente do SINCAMESP - Sindicato do Comércio Atacadista de Drogas e Medicamentos no Estado de São Paulo (representante do comércio atacadista de drogas, medicamentos, correlatos, perfumarias, cosméticos e artigos de toucador); Conselheiro Executivo da Câmara do Comércio de Produtos Farmacêuticos da CNC.

 

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